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Paulo Farine
Paulo Farine
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Reflexoes sobre o Movimento Oasis

No livro Ismael, romance de Daniel Quinn que retrata a conversa entre um homem e um gorila, há uma daquelas perguntas intrigantes que faz os leitores repensarem sobre o papel que o ser humano tem no planeta. O livro começa com o narrador respondendo a um anúncio de jornal do tipo “professor procura aluno com desejo sincero de salvar o mundo”. Ele vai até o endereço especificado e chega numa sala grande e vazia onde nota que está em frente a um painel de vidro e que do outro lado do painel está um gorila – o professor que postou o anúncio. A partir daí, começa uma jornada com uma visão ampla e provocativa sobre a história da humanidade. A parte inquietante é a tabuleta pregada na parede atrás do gorila que tinha a seguinte pergunta: “com o fim da humanidade, haverá esperança para o gorila?”¹ Num primeiro momento, qualquer leitor estranharia a ambigüidade da pergunta. Pensando que o nosso estilo de vida está ameaçando a vida de outras espécies do planeta, poderíamos rapidamente imaginar que a resposta mais sensata é que todos os gorilas ficariam muito melhores sem os seres humanos. Entretanto, a pergunta sugere o oposto. Ela nos traz uma reflexão sobre o papel da humanidade, como espécie, no planeta. Algo como: os animais poderiam precisar do homem por alguma coisa? Temos algo a oferecer às outras espécies? Estas questões nos levam a pensar sobre o nosso propósito no planeta e sobre a nossa responsabilidade com a vida como um todo.
Desde a época da revolução científica – liderada por Galileu, Descartes, Newton e outros – nos acostumamos a enxergar o mundo e as coisas que acontecem nele como uma máquina. De lá pra cá, buscava-se solucionar os desafios baseando-se na especialização, na medição exata, na quantificação, na racionalidade, na linearidade, na ordem através da hierarquia, na análise e na competição. E esta visão mecanicista se espalhou para a forma como estudamos os animais, o corpo humano, a sociedade e as próprias máquinas.² Nossas empresas, nossas escolas e a nossa forma de nos relacionarmos uns com os outros passaram a ser regidas por este tipo de pensamento. Praticamente tudo o que fazemos hoje é baseado nos princípios científicos daquela época. De certa forma, todo este histórico tem contribuído para a nossa crise de percepção do mundo levantada no livro “Ismael” na qual temos uma sensação de estarmos separados uns dos outros e do ambiente que nos envolve.
Entretanto, graças às descobertas recentes da ciência e ao surgimento de várias manifestações da ecologia em todo o mundo, estamos no limiar de um novo ciclo – em que alguns falam ser a “era das relações” – um novo mundo que está emergindo baseado nas conexões, na colaboração, na consciência coletiva, no ecológico e nas redes. Estamos passando por um período de revisão radical de nossos valores e da forma como nos organizamos em grupos e comunidades. É um período de contrastes em que uma velha ordem está indo embora e algo novo – desconhecido ainda – está surgindo. Os jovens nunca estiveram tão conectados uns aos outros como agora e estão criando redes globais de relacionamento nunca vistas antes. Os sistemas de ensino, assim como as instituições em geral estão sendo pressionados a repensar seus modelos e padrões. Frente a todas estas transformações, tem surgido em diferentes partes do mundo grupos de pessoas dedicadas a inovar e a liderar os processos de mudança.
Em abril de 2009, um pequeno grupo de jovens comprometidos e motivados em fazer a diferença lançou um desafio na internet, no formato de um jogo, convidando qualquer pessoa para compartilhar idéias e implementar, em poucos dias, soluções projetadas coletivamente em comunidades do Vale do Itajaí em Santa Catarina atingidas pelas enchentes de novembro de 2008. O jogo Oásis³ é um convite para a ação. É baseado no “aprender fazendo” em que, a partir da experiência prática em grupo, cada participante reflete sobre o seu propósito no mundo e sobre o papel que quer desempenhar por um bem comum. A idéia de ser um jogo é inspirada no princípio de que podemos escolher transformar o nosso mundo de forma prazerosa e divertida.
Inicialmente, o palco das ações foi o ambiente virtual. O jogo na internet serviu para conectar jovens de diferentes universidades do país com moradores de 12 comunidades do Vale do Itajaí em Santa Catarina. O objetivo era fazer com que pessoas do Brasil inteiro pudessem conhecer a realidade e a história das comunidades afetadas pela enchente em Santa Catarina e, de uma forma cooperativa, contribuíssem para a solução dos desafios que as comunidades estavam enfrentando. De um lado, os moradores das comunidades apresentavam suas necessidades, suas idéias e seus recursos disponíveis e de outro, os jovens universitários montavam times para contribuir com as idéias e compartilhar uma solução viável para a região. Em pouco mais de 3 meses, mais de 3000 pessoas – especialistas, universitários, professores, colaboradores – estavam engajadas na comunidade virtual compartilhando idéias, conhecimentos e desenhando planos a serem implementados de forma colaborativa num rápido espaço de tempo. Assim que os universitários conheciam os desafios das comunidades, rapidamente entravam em contato com centros de pesquisas de suas universidades, mobilizavam professores e pesquisavam sobre a melhor forma de implementar o plano que compartilhavam. Empresários, governantes e outros colaboradores do mundo inteiro poderiam oferecer, mesmo à distância, uma idéia, um produto ou um serviço que pudessem ser aplicados na prática pelas comunidades em parceria com os universitários.
Todas as interações virtuais culminaram numa ação real em que 300 jovens partiram de 10 Estados brasileiros para 10 dias intensos de construção coletiva em 6 cidades do Vale do Itajaí (12 comunidades que sofreram as enchentes) onde iniciaram e terminaram, junto com os moradores dos próprios bairros, 18 obras públicas, dentre elas, construção de uma ponte para pedestres em Ilhota, construção de praças públicas, parquinho para crianças, reforma de escolas e de posto de saúde. Resultado disso é que governantes, jovens, empresarios, moradores de diversos bairros, enfim pessoas de todos os setores se juntaram por um sonho comum. A partir desta ação, não só a infra-estrutura local melhorou, mas os participantes se despertaram para as mudanças que precisamos promover nos dias de hoje. Os 300 jovens que foram para Santa Catarina voltaram inspirados para suas cidades de origem mobilizando ainda mais gente para a ação. Surgiram, iniciativas em São Paulo, Ceará, Minas, Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Bahia. Em Santa Catarina, outras comunidades aderiram ao movimento e iniciativas envolvendo o setor público, privado e sociedade civil estão começando.
O legal neste movimento é que não há uma instituição hierárquica coordenando tudo. A organização é em rede, na qual pessoas interagem umas com as outras e atuam por motivação própria. Cada integrante é livre para fazer o que quiser e não precisa de nenhuma ordem ou autorização de um grupo de coordenadores. Neste caso, a tradicional estrutura de comando e controle foi substituída pelo senso de propósito compartilhado e pela auto-organização. A pessoa se envolve espontaneamente com um trabalho ou atividade a partir do momento em que ela se vê como parte daquilo que está desempenhando. Dessa forma, o movimento aponta para uma das principais mudanças que precisamos nos tempos atuais. Se estamos preocupados em garantir vida para as gerações futuras, precisamos cada vez mais criar processos participativos em que pessoas e comunidades possam (re) descobrir o seu propósito. O momento é oportuno. Movimentos como o Oasis tem surgido pelo mundo e eles estão cada vez mais conectados. A mudança de percepção necessária a que falamos no início está surgindo dessa conversação global e remodelando a forma como nos organizamos em grupos e em instituições.
¹ Quinn, Daniel. Ismael. Editora Fundação Peirópolis, São Paulo, 1992.
² Capra, Fritjof. A Teia da Vida. Cultrix, São Paulo, 2001.
³ O Jogo Oasis foi desenvolvido em 2003 pelo Instituto Elos a partir de estudos e experiências em desenvolvimento comunitário. A metodologia do jogo foi aberta ao domínio público no final de 2008.

November 21, 2009 | 11:25 AM Comments  0 comments



Começa o Oasis Santa Catarina!!
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The Santa Catarina Oasis starts!
Automatically translated into English thanks to WorldLingo
Young puts the “hand in the mass” for a sustainable future
Project initiated for young of entire Brazil arrives at the region of the Valley, helping communities reached for the tragedy to reconstruct dreams
To change the world is possible. It is this that all proves university young of Brazil that they arrive this week at the Valley of the Itajaí for literally? to place the hand in the mass? e to help communities reached for the tragedy of the last year. They are organized in a social net online, the Santa Catarina Oasis. The movement was initiated by young of different regions of Brazil and aims at to co-ordinate talentos and the society in spontaneous way, guaranteeing a sustainable future through the cooperative social intervention.
By means of a virtual game, the participant communities are placed in contact with teams of colleges student? the organization foresees 600 people approximately? that they will be in the State between days 22 and 31 of July. The desires presented for the proper communities are raised and carried through with the aid of the colleges student, using local resources and aptitudes of who it lives in the visited area. The intention is to acquire knowledge the society of that, by means of our efforts and abilities, we can change the reality where we live. The methodology of this? social technology? already it exists it has 12 years and it comes being improved in diverse countries. The objective is to optimize the long-distance contribution of the Brazilian society in emergenciais situations.
They are five principles: perception, information, reflection, proposal and action. Beyond the colleges student, it involves students of fifth a eighth series of public schools of the communities to be worked in the cities that had adhered to the program. In Santa Catarina the project Oasis contemplates six cities: Blumenau, Islet, Itajaí, Itapema, Brusque and Navegantes, being two communities in each city, indicated for the City hall.
The project already counts all on the support of partners of the country.

It confers the calendar of activities of Oasis SC of 22 the 31 of July:
21/07 at night, foreseen the arrival of all the colleges student in the lodging Germanic Village, sector 2;
22/07 to 8h official opening in the Galegão, after that, beginning of the activities of qualification university teams and team technique of the city halls that had adhered;

23/07 to 8h continuity qualification. To 18h, the teams follow of bus p its respective communities;

24/07 to 8h beginning of the activities Hand in the Mass in each community until day
29/07 at night closing hand in the mass and confraternização with the communities, 22h return to the Blumenau p/alojamento Germanic Village, sector 2;

30/07 activities of evaluation - Germanic Village sector 3

31/07 closing.

July 20, 2009 | 6:24 PM Comments  0 comments

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O Lego e os sonhos de criança
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Lego and the dreams of child
Automatically translated into English thanks to WorldLingo
Reading post that the Leo Correia published http://oasissantacatarina.ning.com/profiles/blogs/apresentacao-23 I connected myself very with the dreams of child of being a super-hero to save the world. hehehe also I remembered very my infancy all taking for I BEQUEATH. I way the hour not to arrive of the school pra to play of BEQUEATH and to construct cities, histories and personage-heroes who would go to fight for a better world hahaha. Today reading post of it I see that that infancy made all sensible…. my fancy with I BEQUEATH it was a form to go for the wonderful, perfect world and with happy end. It was my dream of world that was there. only that with a difference: the villains do not need to be eliminated, but yes, to be understood.

June 10, 2009 | 9:59 AM Comments  0 comments

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Com minhas proprias mãos
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With my proper hands
Automatically translated into English thanks to WorldLingo
Ben Harper

Agora I can change the world
with my proper hands
To transform it into a better place
with my proper hands
To transform it into a place gentile

Refrão:
with my proper hands
with my proper, with my proper hands
with my proper, my proper hands

Now I could make peace in the Land
With my proper hands
and I could clean the Land
With my proper hands
and I can reach you

Refrão

I I go to transform it into a place more clearly
With my proper hands
I I go to transform it into a safer place
With my proper hands
I I go to help to Jah race human being

Refrão

Agora I I could hug you
With my proper hands
and I can comfort you
With my proper hands

But you have that, you have that to use
To use its proper hands
To use its proper, to use its proper hands
To use its proper, to use its proper hands

With our proper ones, our proper hands (3x)

HHHHHHHOOOOOOOOO

PS.: Dear Aline: debtor for me to present this music at the moment where I more needed to rescue this in me.

May 5, 2009 | 11:07 PM Comments  0 comments

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Explicando o Oasis pra gente do interiorr
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Explaining Oasis pra people of interiorr
Automatically translated into English thanks to WorldLingo
There pras bands of Palestine, interior of São Paulo, deferred payment my family. Small city of 10 a thousand inhabitants and that it has a good party of the laborer. Roundup, cowboys, quermesse, besiege, roça, horses, the waterfall of the Talhadão (photo), music sertaneja (they know Tiao Path) sugar cane-of-sugar and maize. Much maize.
When I arrived in house in the holiday of Passover, papa it received me with affection, it asked as I was, it said a little of what thus it was making and was. It did not delay very and it freed that one perguntinha: “And there, when that you start to work of really?” tooiinnnhhh Comecei to think “but I already work I make one tempaooo”, all good that I do not go office of a company pro, nor I have signed wallet and the majority of my meetings or I am in the university, or coffees or house. But, as an afterthought, I work. E very! Only that it is a type of work that I not yet obtained he explains it in a phrase. When they ask “what you it makes exactly” start to think which project I start to describe first. From there it comes millions of explanations: work with communitarian development, empreendedorismo, oasis functions thus, the idea is to involve people interested in a more sustainable world, and for it goes there… Many times I empolgo and do not stop myself of never speaking. Therefore it is. When my father asked started to speak of the Santa Catarina Oasis, as he was being, why people was making this and such. “But, what it is same Oasis” it asked. From there I remembered the maize mount that exists in Palestine. E with the maize if makes pamonha! E the house staff understands well the process there to make pamonha.

E is thus: when it is time of spoon maize, generally an aunt invites all the family pra to pass the weekend in it I besiege of it pra to make pamonha. It is not easy to make pamonha. Together a mount of cousins, uncles, friends of the family, neighbors, cumpadre cumadre and so on. Each one takes some thing of house (great, ralador pan, bolter, radio, and what to need), people arrive cedinho and day well to make pamonha of pra not to make more nothing. It is a party! The group if divides, some arrives with the maize, others starts to peel the spikes, there generally the men go to ralar the maize and the women go to fold the straw pra to roll the pamonha. Everybody works and turns that converseiro. Causos, jokes, fofocas, musics, laugh… Many speak that the gostoso of the pamonha is not eats it and yes to live deeply the process of you make it. E looks at the similarity with the Oasis: beyond being amused, the aunt who receives the group in house is happy of the life, each one arrives with the resource that has and everything is used to advantage in the process. The staff leaves woollen tired but wild pra to combine another day of pamonha.

“Then, papa, Oasis are thus. Only that instead of pamonha, people constroi squares, parquinhos, gardens and any another thing that the community to dream. “

“Ah tah son… e this is its work then… “

April 25, 2009 | 6:21 PM Comments  0 comments



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